
Manejo Clínico
Manejo hemodinâmico, alívio da dor e cuidados locais essenciais no tratamento do paciente queimado.

A destruição da barreira cutânea promove aumento da permeabilidade capilar, extravasamento de líquidos para o espaço intersticial e formação de edema, com consequente redução do volume intravascular e risco de choque hipovolêmico.
Ressuscitação Volêmica
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Objetiva restaurar e manter a perfusão dos tecidos durante as primeiras horas após a queimadura, devendo ser individualizada e continuamente reavaliada.
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Fórmula de Parkland
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Estima o volume inicial de fluidos e recomenda a administração de 2 a 4 mL de Ringer Lactato por quilograma de peso corporal para cada ponto percentual da superfície corporal queimada (%SCQ); em pacientes idosos ou portadores de insuficiência renal ou cardíaca, a reposição deve ser iniciada com volumes menores.
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Metade do volume total calculado deve ser infundido nas primeiras oito horas contadas a partir do momento da queimadura, e a metade restante nas dezesseis horas subsequentes.
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Ajustes da Ressuscitação Volêmica
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Feitos de acordo, principalmente, com o débito urinário, considerado um marcador indireto da perfusão renal e da adequação da reposição hídrica.
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Adultos: Diurese entre 0,5 e 1,0 mL/kg/h.
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Crianças: Diurese mínima de 1,0 mL/kg/h.
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Ressalta-se que, em casos de trauma elétrico, devido ao maior risco de rabdomiólise e mioglobinúria, a meta de diurese deve ser elevada para aproximadamente 1,5 mL/kg/h.
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Durante as primeiras 24 horas, é preferível evitar o uso rotineiro de coloides, diuréticos e drogas vasoativas, haja vista a interferência no processo de reposição do volume intravascular.
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Analgesia e Cuidados com a Ferida
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Controle da dor
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Na fase de dor aguda, a via endovenosa é a mais eficaz, pois alterações hemodinâmicas podem comprometer a absorção de medicamentos administrados por outras vias.
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Opioides: Constituem a principal escolha terapêutica para dores intensas, sendo titulados de acordo com a intensidade da dor e com a resposta clínica do paciente, como a morfina.
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Não opioides: Podem ser utilizados de forma complementar ou ao ser relatada dor de menor intensidade, como a dipirona.
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Remédios anti-inflamatórios, anticonvulsivantes e antidepressivos também podem ser administrados concomitantemente, dependendo da necessidade do paciente.
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Tratamento local
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A limpeza da lesão deve ser realizada com água e clorexidina a 2%, combinação que pode ser substituída por água e sabão neutro. Em seguida, recomenda-se a aplicação de antimicrobianos típicos, sendo a Sulfadiazina de Prata a 1% a mais tradicionalmente utilizada, devendo ser aplicada em camada uniforme entre 3 e 5 mm de espessura, cobrindo completamente a superfície lesada.
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Composição do curativo
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Curativo Oclusivo: Quatro camadas, sendo elas o antimicrobiano tópico, a gaze absorvente, o algodão e a atadura de crepe; mais frequente nas regiões do tronco e dos membros.
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Curativo Aberto: Visa permitir melhor observação da lesão, menor risco de maceração e facilidade de higienização; mais frequente nas regiões facial e genital.
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Pressoterapia
O uso de malhas compressivas é indicado para inibir o desenvolvimento de cicatrizes hipertróficas e, em alguns casos, queloides; é importante que a press ão da malha não diminua a circulação sanguínea periférica.
Recomendações do Advanced Trauma Life Support (ATLS)
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Durante o atendimento inicial deve ser dada atenção especial a possíveis bolhas (flictenas) presentes nas queimaduras de segundo grau.
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Bolhas pequenas: Devem ser preservadas, já que funcionam como uma barreira biológica temporária contra contaminações e favorecem a cicatrização.
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Bolhas extensas, rotas ou que limitem a mobilidade corporal: Devem ser removidas criteriosamente, permitindo adequada limpeza da ferida e melhor aplicação do curativo.
Referências
Resumo
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Aumento da permeabilidade capilar e extravasamento hídrico geram risco iminente de choque hipovolêmico.
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Fórmula de Parkland orienta a reposição com Ringer Lactato 2 a 4 mL x kg x %SCQ), ajustada pelo débito urinário.
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Analgesia aguda prioritária por via endovenosa com opioides titulados como principal escolha.
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Limpeza com clorexidina 2% e aplicação de Sulfadiazina de Prata 1% em curativos oclusivos ou abertos.
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Preservação de bolhas pequenas e debridamento de bolhas extensas ou rotas segundo diretrizes do ATLS.